Consideramos que nossa espiritualidade deve estar profundamente marcada por todos os aspectos do mistério da Encarnação em seus diversos aspectos. Queremos estar ancorados no sacrossanto mistério da Encarnação, que é “o primeiro e fundamental mistério de Jesus Cristo” e, a partir daí, nos lançamos com ousadia para restaurar todas as coisas em Cristo. Queremos ser uma outra encarnação do Verbo para encarná-la em todo humano. Nossa religião católica “é uma doutrina, mas acima de tudo é um evento: o evento da Encarnação, Jesus, Deus-Homem que recapitulou o Universo” (João Paulo II).

Do fato da Encarnação Redentora, queremos tirar luzes e forças sempre novas, já que Jesus Cristo é uma fonte inesgotável de Ser, Verdade, Bondade, Beleza, Vida, Amor.

Por que “ancorados no mistério da encarnação“? Porque “queremos viver intensamente as virtudes da Transcendência: Fé, Esperança e Caridade, para ser sal e luz do mundo, sem ser do mundo. Porque queremos viver intensamente as virtudes do anonadamento de Jesus: humildade, justiça, sacrifício, pobreza, dor, obediência, amor misericordioso. Em síntese: tomar a cruz.

Devemos estar no mundo e assumir em Cristo tudo o que é autenticamente humano. Não assumindo, porém, o que não é aceitável, como o pecado, o erro, a mentira, o mal.

Extraídos das nossas Constituições, os pontos a seguir podem resumir descritivamente alguns elementos do nosso itinerário espiritual:

1. Profunda e radical devoção a Santíssima Trindade, princípio ativo da Encarnação: ao Pai enquanto princípio do Filho: “Saí de Deus e dele venho” (Jo 8,42); e ao Espírito Santo enquanto Amor pessoal do qual procedem todas as obras divinas: “Por obra e graça do Espírito Santo”.
     
2. Centralidade e primazia de Jesus Cristo. Em nossas vidas e ações deve primar “o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino e o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus”, de tal maneira vividos que não devemos antepor nada a seu amor. Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, quem em sua única pessoa divina une ambas naturezas; por isso, confessamos que verdadeiramente o Verbo se fez carne (Jo 1,14), que é mediador entre Deus e os homens (1 Tim 2,5),  e que é o Único que tem palavras de vida eterna (Cf. Jo 6,68).

3. Amor às três coisas brancas da Igreja: a Eucaristia que prolonga, por obra do sacerdócio católico, a Encarnação sob as espécies de pão e vinho; a Santíssima Virgem Maria, que deu o sim para que de sua carne e sangue o Verbo se fizesse carne; e o Papa, presença encarnada da Verdade, da Vontade e da Santidade de Cristo.

4. Primazia do espiritual em todo nosso pensar, sentir e proceder, já que Deus é quem obra em vós o querer e o obrar segundo sua vontade (Fl 2,13), e porque é claríssimo o ensinamento do Verbo Encarnado: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será acrescentado” (Mt 6,33).

5. Total abandono à vontade de beneplácito de Deus a exemplo da Virgem Maria, que nos ensina a dizer: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).

6. Desejo de viver intensamente as virtudes da transcendência: fé, esperança e caridade, a fim de ser sal e ser luz (Mt 5,13) para não ser do mundo; e viver intensamente as virtudes do anonadamento de Cristo

7. Aspiramos abraçar a prática das virtudes aparentemente opostas, contra toda falsa dialética: respeitar, sem misturar, as essências das virtudes; evitar toda falsa duplicidade praticando a veracidade, a fidelidade, a coerência e a autenticidade de vida, contra toda falsidade, infidelidade, simulação e hipocrisia; restaurar, integralmente, em Cristo, todas as coisas. Porque “é necessário que Ele reine até que ponha todos os seus inimigos debaixo dos seus pés” (I Cor 15,25).

8. Zelo pela glória de Deus. O Pai ao introduzir o seu Primogênito no mundo manifesta sua glória: nós vimos sua glória (Jo 1,14) e em tudo queremos ter essa reta intenção: fazei tudo para glória de Deus (1 Cor 10,31).

9. Zelo pelo bem integral do homem. Como “todo homem é em certo sentido a via da Igreja” e “o mistério do homem só se esclarece à luz do mistério do Verbo Encarnado”, queremos trabalhar por seu bem integral revelando-lhe sua natureza, sua dignidade, sua vocação, seus direitos inalienáveis, sua liberdade, seu destino eterno obtendo a meta da fé: a salvação das almas. Tudo o que conduza à visão de Cristo formado nos homens é para nós objeto de máxima atenção e ação apostólica.