O amor é o motor que nos faz chegar ao ponto de dar a vida, e em nossa vida religiosa, o amor a Deus, à nossa vocação e à Congregação não são coisas distintas, senão o mesmo amor, assim como a mesma disposição de dar a vida por Deus deve ser a de dar a vida por nossa querida Mãe, a Congregação.
As noviças aqui do Brasil têm experimentado isso nestes dias de estudo das Constituições. Foram quinze dias de intenso estudo. Somavam 39 noviças entre apostólicas e contemplativas, que tiveram nestes dias distintas palestras, tanto dos padres do Instituto do Verbo Encarnado – IVE, quanto das Madres.
Aproveitaram com grande entusiasmo e desejo de aprofundar no amor e conhecimento de nosso carisma e da história de nosso querido Instituto. Diz-nos o Diretório de Noviciado: “O Noviciado, com o que inicia a vida em um Instituto, tem como finalidade que as noviças conheçam mais plenamente a vocação divina, particularmente a própria do Instituto, que provem o modo de vida deste, que conformem a mente e o coração com seu espírito”[1]. E continua nosso Diretório de Espiritualidade “formar jovens de grande espírito que saibam transmitir às novas gerações de nossa família religiosa o carisma que o Espírito Santo concedeu ao fundador” [2].
Por isso, a importância de fomentar tudo isso agora no Noviciado, onde se começa a vida religiosa, a vida no Instituto. Podemos dizer sobre o tempo de formação: “este é o tempo favorável” (cf. 2Cor 6,2), é o tempo para encher-nos, esvaziar-nos de nós mesmos e encher o cálice de Cristo e de tudo o que é de Cristo, de ser generosas e aprender a dar tudo por Deus, para quando chegar a missão poder “derramar sobre os demais sua superabundância” [3].
Com respeito a este tempo de inícios, disse o Beato Alamano: “É necessário que desde o primeiro momento preencha seu ânimo o espírito da Congregação”. E também afirma com entusiasmo: “Felizes vós que ainda estais nos começos da vida religiosa!” Porque, todavia, estamos a tempo de tudo, e não tem melhor orgulho para uma empresa, que um bom começo. A Sagrada Escritura diz em Provérbios 22,4: “Quando o jovem empreende um caminho, nem quando envelheça saberá separar-se dele”.
É bonito ver também como as noviças crescem no amor durante esses dias, o qual se podia perceber pelas preces na Liturgia “pela Santa Igreja, por todos os religiosos, por nossos superiores, nossos missionários, pelas vocações, pela fidelidade, a perseverança, em ação de graças por pertencer a esta Família Religiosa, etc.…”.
“Dai-me um religioso que cumpra com sua regra e eu o canonizo sem mais”, dizia o Papa João XXIII. Bendita regra que nos mostra o reto caminho para o céu, que nos guarda de nós mesmos, e nos garante a vontade de Deus nesta vida. Quisera fazer chegar até os confins da terra, meu desejo que todas as almas saibam que alegria é dedicar-se, é gastar-se pela causa de Cristo, quisera fazer chegar a todo o mundo o testemunho dos mártires de Barbastro:
“Eu gritarei com toda a força de meus pulmões, e em nossos clamores entusiastas advinha tu, Congregação querida, o amor que temos… morremos a cada dia, todos contentes, sem que ninguém sinta desmaios nem pesares; Morremos na luta contra o demônio, o mundo e a carne, para sermos virtuosos, para dar a Deus todo o que nos pede, todos rogando a Deus que o sangue que caia de nossas pequenas feridas seja sangue que entrando vermelho e vivo por tuas veias, estimule teu desenvolvimento e expansão por todo o mundo. Querida Congregação! Teus filhos, sacerdotes, monges, seminaristas, noviços, menores, religiosas, noviças, aspirantes, missionários e contemplativos espalhados por todo o mundo, te saúdam nos quatro cantos da terra e te oferecem suas cruzes em holocausto expiatório por nossas deficiências e em testemunho de nosso amor fiel, generoso e perpétuo. Viva a congregação! E quando tivermos que partir diremos: Adeus querido Instituto. Vamos ao céu rogar por ti. Adeus! Adeus!”.
Quero terminar com uma ação de graças: graças a Deus por nos ter chamado, graças por nos ter escolhido para formar esta Congregação, graças por tantas religiosas nesta família em todo o mundo, graças por tantos sacerdotes comunicando a graça às almas, graças porque Sua graça nos sustenta cada dia, graças porque sustenta a nossa querida Congregação e a todos os missionários, que cada dia dão seu sangue, graças porque sem eles muitas almas estariam órfãs, sem ter quem reze por elas, sem ter quem as batize, sem ter quem lhes fale de Jesus Cristo. Graças a Deus que elege religiosos desta família, trabalhando em lugares extremos e em lugares escondidos para salvar almas, graças porque nos faz participar das mesmas alegrias e sofrimentos, graças porque nos reúne em uma só Família com uma união espiritual.
Que Ele nos incendeie em um amor fervente, para que possamos encher o cálice que Ele tem preparado para cada um de nós com a fidelidade de cada dia, derramando nosso sangue, gota a gota para corresponder à vocação pela qual fomos chamados e manter unida a família em que nos congregamos.
Unidos no Verbo Encarnado,
Ir. Maria Virgem da Esperança
[1] CIC, can. 646.
[2] Diretório de Espiritualidade, 119
[3] Cf. Constituições SSVM, 7
