8. A eleição dos “postos de vanguarda” na missão

 

Nos referimos ao que temos chamado destinos emblemáticos. Lugares que representam um timbre de honra para nossa pequena Família Religiosa, pois se trata de postos de missão onde talvez os missionários não vejam frutos abundantes de seu trabalho, de onde provavelmente não surgirão vocações e aonde, talvez, se não houvéssemos aceitado ir, ninguém quereria ir por causa da dificuldade. Entretanto, o sacrifício silencioso daqueles que ali dão sua vida por Cristo não ficará sem recompensa, são uma enorme fonte de bênçãos para todo o Instituto e para a Igreja universal.

“A urgência da evangelização missionária é que esta constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar a cada um e a humanidade inteira no mundo atual, o qual está conhecendo grandes conquistas, mas parece ter perdido o sentido das realidades últimas e da mesma existência”[1]. “O número dos que ainda não conhecem a Cristo nem fazem parte da Igreja aumenta constantemente; mais ainda, desde o final do Concílio, quase tem duplicado. Para esta humanidade imensa, tão amada pelo Pai que por ela enviou seu próprio Filho, é patente a urgência da missão[2].

Finalmente, “a pergunta para que a missão? Respondemos com a fé e a esperança da Igreja: abrir-se ao amor de Deus é a verdadeira libertação. N’Ele e só n’Ele somos libertados de toda forma de alienação e extravio, da escravidão do poder do pecado e da morte. Cristo é verdadeiramente “nossa paz” (Ef 2,14), e “o amor de Cristo nos impulsiona” (2Cor 5,14), dando sentido e alegria a nossa vida. A missão é um problema de fé, é o índice exato de nossa fé em Cristo e em seu amor por nós”[3].

O renovado impulso até a missão ad gentes exige missionários santos. Não basta renovar os métodos pastorais, nem organizar e coordenar melhor as forças eclesiais, nem explorar com maior agudez os fundamentos bíblicos e teológicos da fé: é necessário suscitar um novo ‘desejo de santidade’ entre os missionários e em toda a comunidade cristã, particularmente entre aqueles que são os colaboradores mais íntimos dos missionários”[4]. “O missionário tem que ser um ‘contemplativo em ação’ que encontra respostas para os problemas à luz da Palavra de Deus mediante a oração pessoal e comunitária”[5].


[1] Carta encíclica Redemptoris missio, 2.
[2] Carta encíclica Redemptoris missio, 3.
[3]  Carta encíclica Redemptoris missio, 11.
[4] Carta encíclica Redemptoris missio, 90.
[5] Carta encíclica Redemptoris missio, 91.