7. A eficaz inserção no meio onde estamos trabalhando apostolicamente, isto é, morder a realidade

 

Algo que é próprio de nosso carisma é ter essa atitude de “morder a realidade”. Para conseguir isto, assinalamos dois aspectos indispensáveis: o primeiro é a fidelidade a Jesus Cristo; o segundo é a metafísica tomista que nos ajuda a “não dar golpes no ar”, como disse São Paulo: tentar ver como está a gente, como estão os jovens, que têm problemas, como se pode ajudar mais, etc.

A pastoral da cultura poderá oferecer uma resposta positiva e eficaz aos grandes desafios ou inclusive dramas do homem “pós-moderno”, principalmente a partir da instância metafísica, mediante a filosofia do ser. Pois a postura niilista, horizonte atual de muitas filosofias que se tem tirado o sentido do ser, nega toda a verdade objetiva e em consequência o que fundamenta a dignidade e a liberdade humana[1]. Daqui a urgência de recuperar a metafísica do ser, uma filosofia dinâmica que permite a abertura plena e global até a realidade inteira, até chegar Àquele que aperfeiçoa tudo”[2].

Pois a Igreja, com sua doutrina social, que argumenta a partir do que está de acordo com a natureza de todo ser humano, contribui a fazer que se possa reconhecer eficazmente e logo também realizar o que é justo. Neste sentido, se pode destacar o esforço do Magistério, sobretudo no século XX, para ler a realidade social à luz do evangelho e oferecer sua própria contribuição à solução da questão social.

Portanto, ao encontrarmo-nos “perante o progresso de uma cultura que aparece divorciada não só da fé cristã mas até dos próprios valores humanos, bem como perante uma certa cultura científica e tecnológica incapaz de dar resposta à premente procura de verdade e de bem que arde no coração dos homens, a Igreja tem plena consciência da urgência pastoral de se dar à cultura uma atenção toda especial”[3]. “Esta constitui uma exigência que marcou todo o seu caminho histórico, mas hoje é particularmente aguda e urgente”[4].

Dito brevemente, a fé se deve fazer cultura. Isto é, a fé deve encarnar-se na vida e na cultura dos homens. Se há de levar adiante uma renovada pastoral da cultura, pois a cultura constitui o lugar de encontro privilegiado com a mensagem de Cristo. Pois uma fé que não se torna cultura é uma fé não de modo pleno acolhida, não inteiramente pensada e nem com fidelidade vivida[5].


[1] SÃO JOÃO PAULO II, carta encíclica Fides et ratio (4 de setembro de 1998) 90.
[2] SÃO JOÃO PAULO II, carta encíclica Fides et ratio (4 de setembro de 1998) 97.
[3] Exortação apostólica pós-sinodal Christifideles laici, 44.
[4] Carta Encíclica Redemptoris missio, 52.
[5] SÃO JOAO PAULO II, Carta de endosso pela qual se instituiu o conselho Pontifício da Cultura (20 de maio de 1982).