2. Uma espiritualidade séria (“não sentimentalista”)
Como se vê, por exemplo, no fato de que praticamos os Exercícios Espirituais inacianos. Nossa espiritualidade deve transcender o meramente sensível, nossos religiosos devem estar dispostos a passar pelas “noites escuras”.
De maneira particular, vale o dito para a evangelização da cultura, que exige de nós uma espiritualidade com matrizes peculiares: “ele pede um modo novo de abordar as culturas, atitudes e comportamentos para dialogar com profundidade com os ambientes culturais e fazer fecundo seu encontro com a mensagem de Cristo. E de parte dos cristãos responsáveis, esta obra exige uma fé esclarecida pela reflexão contínua que se confronta com as fontes da mensagem da Igreja e um discernimento espiritual constante procurado na oração”[1], não se esquecendo nunca que a “verdadeira inculturação é desde dentro: consiste, por fim, em uma renovação da vida sobre a influência da graça”[2].
Não em vão São João Paulo II proclamou que “para maior glória de Deus e para a salvação das almas, a bondade do Criador, em seu plano admirável, proporcionou à Igreja uma singular ajuda por meio de Santo Inácio de Loyola com a promoção ilimitada dos exercícios espirituais”[3]. E na exortação apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis afirmou que os Exercícios Espirituais são uma “ocasião para um crescimento espiritual e pastoral, para uma oração mais prolongada e tranquila, por uma volta às raízes da identidade sacerdotal, para encontrar novas motivações para a fidelidade e a ação pastoral”.
A missão da Igreja se realiza em cada cristão, de modo particular naqueles que se consagraram a Deus, no apostolado, que têm a mesma finalidade da Igreja: levar os homens à conversão a Deus, à “adesão plena e sincera a Cristo e a seu evangelho mediante a fé”[4], que deve tender à digna recepção dos sacramentos.
A vida religiosa é um processo de contínua conversão, que não acaba nos anos de formação, senão que deve manter-se e acrescentar-se cada dia mais. Em relação a nossa tarefa pastoral esta formação é um ato de justiça verdadeira e própria para com o Povo de Deus, que nos exige sempre a resposta mais adequada.
[1] SÃO JOÃO
